Como práticas ágeis mudaram o processo de trabalho da BBC

Publicado em 18/09/2018 | (0) comentários


      Em um evento realizado em 2008, Marcus Evans conta sobre suas experiências com a adoção das práticas ágeis na BBC, durante uma sessão ironicamente intitulada de "organização FrAgile". 

      Quando se juntou à BBC, a organização sofria de muitos problemas de comunicação com pessoas sentadas na mesma sala, sem nem se conhecerem pelo nome. Não havia um método claro de gerenciamento de projetos na época e as pessoas eram divididas verticalmente de acordo com os projetos.

      O Scrum foi introduzido nas equipes com muita tranquilidade, sem grandes anúncios, não foi vendido como a solução para o problema. A abordagem encontrou muito pouca resistência. Se houvesse um grande anúncio, Evans supôs que talvez haveria uma reação contrária. A maneira sutil de introduzir o Scrum permitiu que as equipes descobrissem a metodologia e aderissem a cultura de interna. 

      Em seguida toda a empresa adotou a departamentalização matricial e as equipes e as pessoas começaram a conhecer outras realizando o mesmo trabalho em diferentes equipes e isso ajudou muito com o compartilhamento de ideias e da metodologia ágil. Os adeptos da metodologia fizeram reuniões regulares para compartilhar as melhores práticas, mas ainda havia pouca colaboração em equipe.

      Então um novo projeto foi lançado, o BBC iPlayer. Um projeto enorme que exigia que as equipes começassem a trabalhar juntas, mas o uso de métodos ágeis para esse projeto não foi questionado. Evans comentou "isso significava que o método já fazia parte da nossa cultura". As pessoas procuraram maneiras de escalar o scrum e estendê-lo a um único projeto envolvendo várias equipes.

      Durante o projeto, outra reestruturação atingiu a empresa, voltando à organização com equipes independentes, recursos independentes e treinamento. A reunião de scrum tornou-se uma “estufa de ansiedade” e “um ambiente pesado”, perdendo sua energia e seu objetivo.

      No entanto, quando os participantes analisaram se eles estão ágeis, envolvendo um consultor externo para ajudá-los a ter uma perspectiva mais realista, eles perceberam que, na verdade, ainda estavam fazendo o que queriam.

      Marcus Evans apontou as seguintes aprendizados do projeto:

        • A implementação da metodologia ágil sutil, sem grandes discursos positivos, reduziu a resistência e permitiu que a cultura crescesse de dentro das equipes;
        • Embora as equipes tivessem sérias preocupações sobre o modo como eles trabalham, olhar para a mesma coisa de fora, na verdade, era bastante reconfortante, pois perceberam que evoluiram;
        • A estrutura de organização matricial ajudou no processo;
        • O antídoto para as preocupações era refletir e realizar retrospectivas para obter uma visão mais realista.

        Conclusão

        A implantação de uma metodologia ágil dependerá do cenário em que a organização trabalha, do engajamento da gestão (evitar mudanças bruscas de processos internos), da devida sensibilização das equipes (não fazer alarte, ser transparente e focar no bem estar das pessoas) e na mudança de cultura (que exige tempo e paciência). 

        Categoria: scrum agille